Prof.° Elisonaldo Câmara

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Mossoró/Guamaré / Pedro Avelino, Rio Grande do Norte, Brazil
Graduado em História pela UERN, Especialista em Geo-História, professor do município de Guamaré e do Estado do Rio Grande do Norte.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

REVOLTAS SOCIAIS DA REPÚBLICA VELHA.

 


Fonte da foto: História Pensante.

Durante muito tempo, a história tradicional fez vista grossa para a opressão e a miséria que vitimava o povo. Quando ficou impossível ocultar a exploração, criaram mentiras sobre o caráter brasileiro. Mentira segundo a qual somos tontos e conformados com a vida subdesenvolvida que levamos. Mas as revoltas político-sociais mostravam claramente que não somos tão pacíficos e cordeiros como a velha história quer mostrar.

 A Revolta de Canudos (1893 – 1897).

No governo de Prudente de Morais eclodiu um grande movimento de revolta social entre os humildes sertanejos baianos. O líder dos sertanejos era Antônio Vicente Mendes Maciel, mais conhecido como Antônio Conselheiro. Esse homem, senhor de fervorosa religiosidade, foi considerado missionário de Deus pela vasta legião de sertanejos que, desiludidos das autoridades constituídas escutavam suas pregações político – religiosas. Não compreendendo certas mudanças surgidas com a republica, Antônio Conselheiro declarava-se , por exemplo , contra o casamento civil e por isso foi identificado como um fanático religioso e monarquista. Revoltas Messiânicas, A fé popular e a luta contra a opressão. O termo messianismo é usado para designar os movimentos sociais em que milhares de sertanejos fundaram importantes comunidades comandadas por um líder religioso e a ele era atribuído qualidades como o dom de fazer milagres, realizar curas e profetizar acontecimentos. O messianismo desenvolveu-se em áreas rurais pobres que reagiram a miséria. Seus componentes Básicos eram: a religiosidade do sertanejo e seu sentimento de revolta contra a miséria, a opressão e as injustiças das republicas dos coronéis.

A Luta Possível.

Muita coisa divulgou-se sobre Antônio Conselheiro e sua gente, diziam que eram loucos monar- quistas e comunistas. Durante muito tempo esconderam a verdade e o motivo que unia os sertanejos em canudos: a vontade de escapar da fome e da violência do sertão. Conseguindo reunir um grande número de seguidores, Antônio Conselheiro estabeleceu em canudos, um velho arraial no sertão baiano. Em pouco tempo canudos era uma das cidades mais povoadas da Bahia.

Eles viviam num sistema comunitário, em que as colheitas, rebanhos e os frutos eram repartidos entre todos. Ninguém possuía nenhuma propriedade, pois os únicos bens era a roupa, moveis etc. Com isso fazendeiros começaram a temer o poder de Antônio Conselheiro e exigiram do governo estadual que acabasse com o arraial de Canudos. Nisso travou-se grandes batalhas até que um dia, organizou-se um exército de 7 mil homens , que destruiu Canudos completamente e toda população sertaneja morreu defendendo sua comunidade.

Cangaço: Revolta e Violência no Nordeste.

O cangaço foi um movimento caracterizado como banditismo social que vigorou entre as últimas décadas do século XIX e a primeira metade do século XX pelas áreas do sertão nordestino brasileiro. A figura do cangaceiro é caracterizada pelo sertanejo sempre em trânsito, com vida seminômade, vivendo em bando e vestindo roupas de couro curtido, armado com rifles, facas (peixeiras) e punhais. Esse tipo de sertanejo carregava consigo as tralhas de que necessitava todas afiveladas em seu tronco. Por isso, o nome “cangaço”, atribuído a essa forma de levar pertences e mantimentos. Para alguns pesquisadores, ele foi uma forma pura e simples de banditismo e criminalidade. Para outros foi uma forma de banditismo social, isto é, uma forma de revolta reconhecida como algo legítimo pelas pessoas que vivem em condições semelhantes. Motivos para o acontecimento do cangaço:

Miséria, fome, seca e injustiças dos coronéis-fazendeiros produziram no semiárido do Nordeste um cenário favorável à formatação de grupos armados conhecidos como cangaceiros. Os cangaceiros praticavam crimes, assaltavam fazendas e matavam pessoas. Os dois mais importantes bandos do cangaço foi o de Antônio Silvino e o de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, o “Rei do Cangaço”. Depois que a polícia massacrou o “bando de Lampião”, em 1938, o cangaço praticamente desapareceu do Nordeste.

A Guerra do Contestado (1912 – 1916).

Além de canudos, outro grande movimento messiânico ocorreu na fronteira entre o Paraná e Santa Catarina. Nessa região era muito grande o número de sertanejos sem – terra e famintos que viviam sob dura exploração dos fazendeiros e duas empresas norte-americanas que ali atuavam. Os sertanejos do Contestados se organizaram e era liderado por João Maria, Logo após sua morte outro monge, conhecido como José Maria (seu nome verdadeiro era Miguel Lucema Boa Ventura ).José Maria reuniu mais de 20 mil sertanejos e fundaram alguns povoados chamados “Monarquia Celeste” , como em Canudos , os sertanejos do Contestados foram violentamente perseguidos e expulsos das terras que ocupavam . Em novembro de 1912, o monge José Maria Foi morto e seus seguidores tentaram resistir e foram arrasados por tropas de 7 mil homens armados de canhões , metralhadoras e até aviões de combate.

A Revolta da Vacina ( 1904 )

             A fúria popular explode nas ruas do Rio de Janeiro. No Governo do Presidente Rodrigues Alves (1902 – 1906), o Rio de Janeiro, capital da republica, já era uma cidade com graves problemas urbanos e sociais: pobreza, desemprego, lixo, muitos ratos e mosquitos transmissores de doenças. Muitas pessoas morriam em consequência de epidemias como febre amarela, peste bubônica e varíola. O governo decidiu modernizar a cidade e tomar medidas drásticas contra as epidemias, derrubou cortiços, casebres e a população dali foram expulsos, Depois disso, o Prefeito Pereira Passos iniciou as obras de modernização da cidade. Para combater as epidemias teve o conselho do sanitarista Osvaldo Cruz que organizou um exército de funcionários da saúde e começou a destruir focos de ratos e mosquitos.

        Osvaldo Cruz convenceu o presidente a decretar uma lei de vacinação obrigatória contra a varíola, o que gerou a revolta da população que diziam ser uma falta de vergonha as mulheres a se vacinar, pois achavam que as vacinas eram aplicadas nas partes intimas das mulheres. O resultado de tanta reação foi uma revolta popular que explodiu pelas ruas do Rio de Janeiro, que o governo conseguiu controlar com tropas do corpo de bombeiros e a cavalaria.

 

A Revolta da Chibata ( 1910 ),Os marinheiros sob o comando do Almirante Negro.

        No final do governo do presidente Nilo Peçanha, estourou uma revolta de 2 mil marujos da marinha brasileira liderada pelo marinheiro João Cândido. Primeiramente, os revoltosos tomaram o comando do navio Minas Gerais, matando na luta o comandante e três oficiais que resistiram. Depois, assumiram o controle dos navios São Paulo, Bahia e Deodoro em seguida apontaram os canhões para a cidade do Rio de Janeiro e enviaram um comunicado ao presidente explicando as razões da revolta. Queriam mudanças no código de disciplina da marinha, que punia as faltas graves com 25 Chibatadas. O governo cedeu e aprovou um projeto que acabava com as chibatadas e anistiava os revoltosos, mas o governo não cumpriu a promessa, esquecendo a anistia, decretou a expulsão de vários marinheiros e a prisão de alguns lidere. João Cândido foi preso, julgado e absolvido em 1912. Passou para a história como o Almirante Negro que acabou com as chibatadas na marinha do Brasil.

O Tenentismo A rebelião dos jovens militares.

        No inicio da década de 1920, crescia o descontentamento social contra o sistema oligárquico que dominava a política brasileira. Esse descontentamento partiu da população dos grandes centros urbanos, que não estava diretamente sujeitas às pressões dos “coronéis”. O clima de revolta atingiu as forças armadas, difundindo – se, sobretudo entre os tenentes. Surgiu então, o tenentismo, um movimento político – militar que pela luta armada, pretendia conquistar o poder e fazer reformas na sociedade. Os tenentes pregavam a moralização da administração publica o fim da corrupção eleitoral o fim do voto aberto e queriam uma reforma na educação, para que o ensino fosse para todos os brasileiros. Eles conseguiram a simpatia da classe média e do proletariado, mas não da classe operária, que para eles estabelecia a verdadeira posição entre exploradores e explorados.

A Revolta do Forte de Copacabana ( 1922 ).

            A primeira revolta tenentista eclodiu no dia 5 de julho de 1922 e foi liderada por 18 tenentes, que reunindo uma tropa de 300 homens, decidiram agir contra o governo e impedir a posse do presidente Artur Bernardes. Mas a revolta não teve êxito com uma tropa superior a deles o governo acabou ganhando a batalha e dessa luta apenas dois rebeldes escaparam com vida: Eduardo Gomes e Siqueira Campos.

A Revolta de ( 1924 ).

Fracassada a revolta do Forte de Copacabana, Artur Bernardes tomou posse da presidência. Teve porem que enfrentar, dois anos depois, uma nova revolta tenentista. A revolta liderada pelo General Isidoro Dias Lopes, Pelo tenente Juarez Távora e por políticos, como Nilo Peçanha, eclodiu em São Paulo, Também no dia 5 de Julho. Com uma tropa de aproximadamente 1000 Homens os revolucionários ocuparam lugares estratégicos da cidade de São Paulo. Durante a ocupação, diversas batalhas foram travadas entre os rebeldes e as tropas do governo.

            O governo paulista fugiu da capital, indo para outro lugar próximo, onde recebeu ajuda do Rio de Janeiro e preparou uma violenta ofensiva contra os rebeldes, percebendo que não tinha mais como resistir, o General Isidoro Dias Lopes, decidiu abandonar a cidade. Com uma numerosa e bem armada tropa, formou a Coluna Paulista, que tinha como objetivo continuar a luta contra o governo, levando a revolução para outros Estados do Brasil. A revolta do Forte de Copacabana, a Revolução de 1924, não produziram efeitos imediatos na estrutura política Brasileira, Contudo, conseguiram manter a chamada revolta contra o jugo das Oligarquias.

Fonte: Google\ adaptação Elisonaldo Câmara.

terça-feira, 8 de dezembro de 2020

HISTÓRIA EM FOCO.: HISTÓRIA EM FOCO.: A comuna do RN: como um sapatei...

HISTÓRIA EM FOCO.: HISTÓRIA EM FOCO.: A comuna do RN: como um sapatei...: HISTÓRIA EM FOCO.: A comuna do RN: como um sapateiro, um estivador, u... : POR: BRUNO BARRETO. O governador do Rio Grande do Norte R...

ÁFRICA, DIVERSIDADE DE POVOS E REINOS.

                                          


 O REINO DO CONGO (SÉCULOS XII-XVI)

                     Conta-se que, do casamento de Nimi Lukeni, do povo Kicongo, com uma mulher do povo Ambundo, surgiu o reino do Congo, no final do século XIV, próximo ao rio Congo (rio Zaire). Com o título de Mani Congo, que significa "senhor do Congo“, Lukeni passou a governar todas as aldeias, auxiliado por conselheiros, chefes militares, coletores de impostos e juízes. A capital do reino era M’banza Congo (cidade do Congo) e para lá iam todos os tributos em forma de mercadorias e alimentos que as aldeias que formavam o reino tinham que pagar. Os manis, que sucederam Nimi Lukeni, expandiriam o poder do reino por meio de conquistas militares e de casamentos de aliança. No reino do Congo, os mais velhos controlavam os meios de produção (terras, instrumentos de trabalho) e o poder político. Tratava-se de uma sociedade organizada na relação familiar, também chamada de linhagem porque se baseava no parentesco e se apoiava nas diferenciações de idade e sexo. Em muitos lugares, vigorava o trabalho escravo ao lado do trabalho livre. Nesses casos, os escravos eram membros dominados de outras linhagens (famílias) que não tinham ligações com a rede de parentesco dominante. É importante frisar que os escravizados não eram destituídos de sua humanidade. Por vezes, ficavam temporariamente nesta condição. Os escravos desempenhavam praticamente as mesmas funções que os membros da linhagem dominante: trabalho cooperativo, expedições de caça, defesa das cidades e participação em cerimônias religiosas. A escravidão não era fator social predominante e coexistia com outras formas de dependência. Por isso alguns historiadores preferem afirmar que não havia escravidão no reino do Congo, até a chegada dos portugueses no final do século XV. 
 1) Retire a passagem do texto que comprova que geralmente o Mani Congo governava com o auxílio de diferentes assistentes.
 2) Em que a escravidão, no reino do Congo, diferia da escravidão praticada por outros povos? Justifique. 

            Alguns versos do samba-enredo abordam a vida da rainha Jinga (ou Nzinga, como se pronunciava em mbundu) que nasceu por volta de 1581 e viveu num dos territórios do reino do Congo, Ndongo. Sua trajetória é surpreendente e fabulosa, pois, em 1622, ao ser enviada a Luanda (atual capital de Angola), cidade que sediava a administração portuguesa na África, Jinga se tornou uma aliada do império português, se convertendo inclusive ao cristianismo, com o nome católico de Ana de Souza. Em 1624, o reino de Ndongo sofreu um esvaziamento de poder e Jinga disputou com Ngola-a-Ari, que saiu vencedor. Passados três anos, Ngola-a-Ari morreu envenenado permitindo o regresso de Jinga, que havia se retirado com seu povo. Jinga governou soberana, até o ano de 1663, negociando, tanto com portugueses como com holandeses, a entrada no território africano. Ou negociavam ou enfrentavam a resistência desses países em alguns territórios de Ndongo. Ao longo de seu reinado, Jinga enfrentou várias guerras contra outros reis africanos e contra autoridades europeias. Numa guerra travada, em 1629, pelo controle de Matamba, suas irmãs, Kambo e Funji, caíram nas mãos dos portugueses, acabando presas em Luanda. Em outubro de 1641, uma ordem do Conselho Ultramarino criticava Fernão de Souza, então governador em Angola, por este “ter tirado a realeza de Jinga”, reiterando que a ela, e só a ela, “assistia o direito e a justiça” em Ndongo. Em retaliação, Jinga fez acordos com os holandeses, que ocuparam Luanda. 
        Ela lutou também contra o povo Imbagalas que resistia à presença holandesa. A partir de 1644, os portugueses foram seus principais inimigos, em sucessivas batalhas, que duraram até 1648. Em 1651, porém, a rainha Jinga e o governador de Angola, Salvador Correia de Sá e Benevides – que governara o Rio de Janeiro entre 1637 e 1642 – firmaram a paz, bem como acordos comerciais. Naquela ocasião, Salvador de Sá afirmara à Jinga que era “maior honra poder cooperar pelo aumento de sua grandeza, do que ser servido por todos os escravos não só da Matamba, mas de toda a África”. Em 1656, aos 75 anos de idade, como última estratégia de poder, Jinga permitiu a entrada de religiosos capuchinhos em seu território, convertendo-se totalmente ao catolicismo numa política de alianças com os portugueses. (Adaptado de Silva, Luiz Geraldo. Princesas Negras. Revista Agentes de Leitura, ano 9. fasc.19. 2009. Ediouro).
 3) Retire do texto uma passagem que comprove o poder conquistado pela rainha Jinga. 
4) Que nome cristão Jinga adotou ao se converter ao catolicismo? 
5) Qual era a estratégia de Jinga? Deu certo? Justifique. 
6) O Reino de Gana, a “terra do ouro”, apresentava em sua administração o rei (gana), o qual era visto como um elo entre os deuses e o homem além de liderar um poderoso exército. Quais outros funcionários cuidavam da administração do reino: a) Sacerdotes, nobres e funcionários. b) Sacerdotes, nobres e escravos. c) Nobres e funcionários. d) Empregados e camponeses.
 7) Os reinos de Gana, Mali e Aksum, fazem parte: a) da África do Sul. b) do continente Europeu. c) da América do Sul. d) do continente Africano. 
8) A história dos reinos de Gana, Mali e Aksum, que estudamos se localizam em qual período:
 a) A África antes dos europeus. 
b) A África depois dos europeus. c) A África no século XXI. d) A África antes de Cristo. Sobre a escravidão responda: 9) Quem se tornava escravos nos reinos africanos? 
10) Como foi a prática escravista no Brasil colonial a partir do século XV?

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

HISTÓRIA EM FOCO.: A comuna do RN: como um sapateiro, um estivador, u...

HISTÓRIA EM FOCO.: A comuna do RN: como um sapateiro, um estivador, u...: POR: BRUNO BARRETO. O governador do Rio Grande do Norte Rafael Fernandes Gurjão caminhava para mais uma solenidade maçante (no caso ...

A comuna do RN: como um sapateiro, um estivador, um sargento e um servidor público transformaram Natal na primeira capital comunista das Américas.

POR: BRUNO BARRETO. O governador do Rio Grande do Norte Rafael Fernandes Gurjão caminhava para mais uma solenidade maçante (no caso a formatura dos contabilistas do Colégio Santo Antônio) daquelas cheias de bajuladores, que os políticos só vão por obrigação, no Teatro Carlos Gomes (atual Alberto Maranhão).Era por volta das 19h30 do dia 23 de novembro de 1935 e o governador nem fazia ideia do que estava por vir até que surge no vácuo o som dos estampidos. Começava naquele momento o que para a direita se convencionou chamar de Intentona Comunista de 1935 e para a esquerda se tenta dar o nome de Levante ou Insurreição no lugar da palavra que significa “cometimento temerário” ou “plano insensato”. No quartel do 21º Batalhão de Caçadores do Exército um grupo de sargentos tomou o controle, quebrou a hierarquia e prendeu oficiais em nome de Luís Carlos Prestes, conhecido como “Cavaleiro da Esperança”, líder da Aliança Nacional Libertadora (ANL). No Rio de Janeiro e em Recife também teríamos sublevações, mas as duas cidades não foram tão longe quanto Natal. A capital dos potiguares tornava-se naquele 23 de novembro a primeira cidade comunista das Américas. A revolução, intentona, levante ou insurreição espalhou pelo Rio Grande do Norte e quase metade do Estado foi tomado de assalto. À frente do movimento estavam tipos populares como sapateiro José Praxedes que proclamou a instauração de uma Junta Governativa Popular Revolucionária. Mossoró estava representada pelo funcionário do Colégio Atheneu João Galvão. Além de João Francisco Gregório, presidente do Sindicato dos Estivadores que assumiu o controle do cais do porto. O líder militar do movimento era o Sargento Quintino Clementino Barros, um músico. Ele tomou o quartel do 21º BC do Exército em poucos minutos com a ajuda do soldado Raimundo Francisco de Lima (“Raimundo Tarol) e o cabo Giocondo Dias (“Cabo Dias”).Os oficiais rendidos não aceitaram aderir à revolução e ficaram presos no cassino do quartel. Coube ao “Cabo Dias” pronunciar a voz de prisão: “os senhores estão presos em nome do capitão Luiz Carlos Prestes!”. Enquanto isso o governador e seu séquito fugiam. Primeiro Rafael Fernandes se escondeu no consulado improvisado do Chile. Depois no da Itália e por fim foi parar em um navio mexicano ancorado no porto de Natal onde ficou até ter o poder restabelecido com ajuda de forças policiais da Paraíba. Foram três asilos políticos em três dias. Durante pouco mais do que três dias, ou 82 horas como apontam alguns historiadores, ocorreram saques, ou expropriações, todo o dinheiro do Banco do Brasil foi raspado e parte dele distribuído entre os pobres. O bonde passou a funcionar com preços das passagens reduzidos e a revolução se espalhou por quase metade das 41 cidades potiguares naquela época.Com a chegada de forças militares da Paraíba e com o fracasso do levante no Rio de Janeiro e em Recife os sublevados decidiram por evitar um banho de sangue e fugiram no dia 27 de novembro. Há menos de um mês Rafael Fernandes tinha tomado posse no cargo em tumultuado processo eleição indireta. Era primeiro (e seria o único) governador sob a égide da liberal constituição de 1934.A confusão se dava pela eleição de 1934 que manteve os padrões da República Velha (1889/1930) com fraudes, violência e voto de cabresto, três elementos que findam sendo uma coisa só: o desrespeito à vontade do eleitor. Foi neste pleito que escolheu os deputados que elegeriam o Governador do Rio Grande do Norte de forma indireta. As forças políticas que davam as cartas no Estado estavam divididas entre o Partido Popular (PP) que reunia os oligarcas derrotados no Golpe de 1930 e o a união dos grupos de Café Filho e do ex-interventor Mário Câmara que formavam a Aliança Social. Na primeira contagem a dupla Café Filho e Mário Câmara levou a melhor, mas o PP denunciou fraudes e o recém-criado Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou novas eleições. Novamente o tripé voto de cabresto, violência e fraudes estavam postas lado a lado. No fim o PP venceu elegendo três deputados federais e 14 estaduais contra dois federais e 11 estaduais de seus adversários. Rafael Fernandes virou governador, mas teria que lidar com o ranço dos adversários que passaram a conspirar diariamente. Não era uma conspiraçãozinha de gabinete. Era algo aberto e provocador. Assim relata Natanael Sarmento em “Às Armas Camaradas!” (pág.30) “As tramas conspiratórias à deposição de Rafael Fernandes eram públicas, os conspiradores não davam importância à confidencialidade. A movimentação dos chefes políticos interioranos, prefeitos, ligados ao interventor Mário Câmara, e as confabulações dos partidários de João Café Filho, ocorriam à luz do dia”. A disputa entre duas pontas da elite política acabou aproximando membros do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e da ANL aos derrotados da eleição de 1935. Era uma situação que enfraquecia politicamente o governador e contribuiu para o levante comunista. Para piorar a situação, Fernandes tinha demitido 300 guardas-civis que estavam indignados e prontos para aderir à revolução. Tudo isso em um contexto do mundo entre guerras (1918/39) em que a polarização entre antifascismo e comunismo esmagava a democracia liberal. Isso, claro, se refletia num Brasil que dali a dois anos sofreria com o Golpe do Estado Novo. As tensões no Rio Grande do Norte eram reflexas das disputas entre a ANL e a Ação Integralista Brasileira (AIB) – de orientação fascista- em que o próprio Getúlio Vargas tentara se equilibrar entre os polos para, ao golpear a frágil democracia brasileira em 1937, colocar os dois grupos na ilegalidade. Bruno Barreto,Jornalista graduado em comunicação com habilitação em jornalismo pela UERN, especialista em assessoria de comunicação pela UnP e mestre em ciências sociais e humanas pela UERN.

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