Prof.° Elisonaldo Câmara

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Mossoró/Guamaré / Pedro Avelino, Rio Grande do Norte, Brazil
Graduado em História pela UERN, Especialista em Geo-História, professor do município de Guamaré e do Estado do Rio Grande do Norte.

sábado, 7 de abril de 2018

A Inconfidência Mineira ou Conjuração Mineira?






 Foi uma tentativa de revolta interrompida pelo governo em 1789, em pleno ciclo do ouro, na então capitania de Minas Gerais, no Brasil, contra, entre outros motivos, a execução da derrama e o domínio português. Foi um dos mais importantes movimentos sociais da História do Brasil, e significou a luta do povo brasileiro pela liberdade, contra a opressão do governo português no período colonial. No final do século XVIII, o Brasil permanecia colônia de Portugal e sofria com os abusos políticos e com a cobrança de altas taxas e impostos. Além disso, a metrópole havia decretado uma série de leis que prejudicavam o desenvolvimento industrial e comercial aqui no Brasil. No ano de 1785, por exemplo, Portugal decretou uma lei que proibia que industrias fabris funcionassem em todo o território brasileiro.

 Neste período era grande a extração de ouro, e principalmente na região de Minas Gerais. Os brasileiros que encontravam ouro deviam pagar o quinto, ou seja, 20 por cento do ouro encontrado acabava ficando para os portugueses. Aqueles que eram pegos com ouro ilegal (sem ter pago o devido imposto) sofria duras penas, podendo até ser degradado (enviado a força para o território africano).E com grande exploração  o ouro começou a diminuir nas minas. Mesmo assim as autoridades portuguesas não deixaram de cobrar e nesta época, Portugal criou a Derrama. Ela funcionava da seguinte forma: cada região de exploração de ouro deveria pagar 100 arrobas de ouro (1500 quilos) por ano para a metrópole. Quando a região não conseguia cumprir com estas exigências, soldados da coroa entravam nas casas das famílias para retirarem os pertences até completar o valor devido.
E com todas essas atitudes foram provocando uma insatisfação muito grande no povo e, principalmente, nos fazendeiros rurais e donos de minas que queriam pagar menos impostos e ter mais participação na vida política do país. Alguns membros da elite brasileira (intelectuais, fazendeiros, militares e donos de minas), influenciados pelas ideias de liberdade que vinham do iluminismo europeu, começaram a se reunir para buscar uma solução que fosse definitiva para o problema: a conquista da independência do Brasil. A Inconfidência Mineira transformou-se em símbolo máximo de resistência para os mineiros, a exemplo da Guerra dos Farrapos para os gaúchos, e da Revolução Constitucionalista de 1932 para os paulistas. A Bandeira idealizada pelos inconfidentes foi adotada pelo estado de Minas Gerais.

domingo, 18 de março de 2018

A Europa e a formação do Feudalismo.


 
 Por: Elisonaldo Câmara.
A Idade Média: certamente você sabe alguma coisa sobre esse período, já deve ter ouvido falar dos Vikings, história de cavalaria, algum filme de época como a lenda do rei Arthur e dos cavaleiros da Távola Redonda, a história de Robin Hood, a vida de Joana D’ Arc, as cruzadas etc. Quando? Você sabe que a palavra ‘’média’ indica algo que está entre duas coisas. Onde? O termo ‘’Idade Média’’ não se aplica a todos os povos do planeta, mas apenas aqueles que viviam na Europa Ocidental, no território que faz parte do Império Romano do Ocidente. Transformações da Idade Média: O longo período medieval, que durou cerca de mil anos, é dividido em duas fases: Alta Idade Média (Nessa época na Europa Ocidental, foram formadas grandes propriedades agrícolas, isoladas, conhecidas como feudos. Não havia um forte poder central, e o comercio era quase inexistente, os servos viviam e trabalhavam nas terras do senhor feudal, o isolamento e autonomia dos feudos fizeram com que muitas cidades,nesse período ,perdesse importância),Baixa Idade Média( Foi um período  de muitas crises,em que o sistema feudal,passou por profundas transformações).
As migrações Bárbaras no Império Romano.
Os romanos chamavam de ‘’bárbaros’’todos os povos que não falavam o latim, essa denominação abrangia quem não se comportava como romano, dentro e fora das fronteiras do Império. Esses povos viviam da caça,da pesca,de uma agricultura rudimentar e, de saques de guerra. Habitavam florestas  nômades. Eram politeístas, organizados em comunidades tribais, sem unidade política, seguiam leis não escritas, mas apoiadas em costumes e tradições. Suas relações eram baseadas em laços de lealdade. Esses povos ‘’não romanos’’ costumavam ser agrupados segundo a origem ou a língua. Tártaro- Mongóis ( De origem asiática ,descendiam os Hunos e os turcos. Eslavos ( Originários da Europa Oriental e parte da Ásia ,deram origem aos russos,polacos,thecos,sérvios,bósnios e búlgaros etc) Germanos ( De origem indo – europeia,ocuparam parte Ocidental da Europa, Visigodos, Ostrogodos,vândalos,Burgúndios,os Anglos – Saxões. A Formação dos reinos germânicos: Em 476, o ultimo imperador romano foi deposto com a invasão do Hérulos (povo germânico ). Nas ultimas décadas, Roma estava enfraquecida e diversos fatores contribuíram, o exercito já não conseguia garantir a lei e a segurança das pessoas,os preços descontrolados não deram resultados,invasões e saques. As populações que antes se concentravam nas cidades foram buscar proteção no interior das propriedades rurais. Esse processo ficou conhecido como ruralizarão. Elementos da cultura romana e da cultura dos povos germânicos começaram a se fundir, os bárbaros adotaram o cristianismo, a religião oficial dos romanos. O latim,falado no Império Romano,foi aos poucos substituindo por outras. O feudalismo: Enquanto os povos germânicos se fixavam na Europa Ocidental,diversos feudos surgiram,frutos da fragmentação política do antigo Império Romano,nascia o feudalismo,uma nova forma de organização política,econômica e social. A sociedade feudal: Era uma sociedade de ordens ou estamental,composta de estamentos,camadas sociais rígidas, a mobilidade era quase impossível.Os reinos bárbaros na Europa Medieval. Reino dos Suevos – região noroeste da Península Ibérica.- Reino dos Anglo- Saxões – faixa leste da Grã-Bretanha - Reino dos Vândalos – ilhas da Córsega, ilha da Sardenha e costa norte da África.- Reino dos Ostrogodos – territórios da atual Itália, Áustria, Sérvia, Eslovênia, Montenegro e Albânia.- Reino dos Visigodos – região central e norte da Península Ibérica.- Reino dos Burgúdios – região central da Europa (região sul da atual Alemanha e Suíça).- Reino dos Francos – foi um dos principais reinos germânicos durante a Alta Idade Média, principalmente durante o reinado de Carlos Magno. Estava localizado nos territórios das atuais França e Bélgica. -Reino dos Alamanos – território da atual República Tcheca.

Ø Primeiro Estamento: Formado pelos senhores feudais, os nobres e o alto clero (membros da alta cúpula da Igreja Católica);
Ø Segundo Estamento: Trabalhadores rurais ficavam instalados nas terras de seu senhor, homens chamados vilões.
Ø Estamento Inferior: Constituídos pelos servos, que formavam a maioria da população camponesa.
Os principais tributos pagos pelos Servos.
Ø  Talha: Correspondia a mais da metade da produção das terras trabalhadas;
Ø  Corveia:  pago com trabalho obrigatório nas terras do senhor pelo menos dois ou três dias por semana;
Ø  Banalidades: pagamento em produtos pelo uso de instrumentos de trabalho e das dependências comuns                   do feudo ( moinhos,fornos,celeiros e pontes)
Ø  Capitação: imposto pago pelo numero de pessoas no feudo.
A organização do Feudo: Possuía três partes ou mansos: Manso senhorial, onde ficava o castelo e as terras de uso exclusivo do senhor feudal. Manso servil  vários lotes, entregues aos servos. Manso Comunal, bosques, pastos usados tanto pelo senhor como pelos servos.
  Economia feudal: A economia feudal baseava-se principalmente na agricultura. Existiam moedas na Idade Média, porém eram pouco utilizadas. As trocas de produtos e mercadorias eram comuns na economia feudal. O feudo era a base econômica deste período, pois quem tinha a terra possuía mais poder. O artesanato também era praticado na Idade Média. A produção era baixa, pois as técnicas de trabalho agrícola eram extremamente rudimentares. O arado puxado por bois era muito utilizado na agricultura. Crise do Feudalismo:
 O desenvolvimento do comércio e das cidades ampliaram as fontes de renda. Assim, as relações de produção passaram a ser baseadas no trabalho livre assalariado e houve o surgimento de novas camadas sociais, como a burguesia. O crescimento populacional foi um dos primeiros fatores responsáveis pelas mudanças no sistema feudal de produção. À medida que crescia a população, aumentava a necessidade de ampliar a área de produção e desenvolver novas técnicas agrícolas. Muitos senhores feudais, pretendendo enriquecer com a comercialização do excedente produzido no feudo, aumentaram, por meio de força e opressão, a exploração dos servos. O excesso cometido pelos senhores feudais resultavam na fuga de servos de uma aldeia e em violentas revoltas camponesas. O abandono dos feudos e as revoltas camponesas obrigaram a maioria dos senhores feudais a mudar seu comportamento em relação aos servos. Alguns deles arrendaram as terras, enquanto outros passaram a vender a liberdade aos servos ou a expulsá-los da terra, colocando em seu lugar trabalhadores assalariados. O processo de mudança do sistema feudal pelo sistema capitalista foi lento e gradual, acentuando-se com o renascimento comercial.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Reflexões sobre a História.



DISCIPLINA – HISTÓRIA – PROFº ELISONALDO CÂMARA.      DATA:
As diversas faces de um conceito – As palavras em nossa língua podem ter sentidos variados. A palavra história pode ser entendida de diversas maneiras:
_ História: ficção – Os livros de aventura, as novelas de televisão e os filmes nos contam histórias de pessoas, de lugares, de acontecimentos muitas vezes inventados para chamar a nossa atenção ou nos distrair. Essas histórias são inventadas pela imaginação humana e são chamadas de histórias fictícias ou de ficção.
_ História: vida real – Os fatos reais que acontecem no dia -a -dia, tanto de uma pessoa como de um país, podem ser chamados de história da vida real. As lutas, os sonhos, as alegrias, as tristezas, os acontecimentos marcantes constituem a vida real de cada um e torna-se a sua história.
_ História: ciência – Outro sentido ainda pode ser dado à palavra história: História, ciência que estuda a vida humana através do tempo. É este sentido da palavra história que nos interessa. Vamos entender como os homens organizaram-se e desenvolveram-se no passado, chegando aos dias de hoje. É importante ressaltar que a História está interessada tanto na vida dos homens do passado como dos homens atuais, de forma que é uma ciência do passado e do presente, uns e outros inseparáveis.
Reflexões sobre a História (01)

A verdade histórica – Como grande parte dos historiadores atuais, creio que não existe a tal “verdade histórica” definitiva e absoluta. Cada época faz a sua própria história, sempre respondendo perguntas que cada época faz a seu passado.
     A história acumulou numerosos conhecimentos e interpretações sobre os fatos, que vão acrescentando pedaços e facetas do conhecimento à chamada “verdade histórica”. É como se uma câmera cinematográfica filmasse uma cena de diversos ângulos e perspectivas. Nenhuma foto contém toda a cena, mas o seu conjunto se aproxima do que chamaríamos de visão global.
     Cada pesquisador e cada estudioso acrescenta uma nova perspectiva ao conhecimento, que para cada um deles é a “verdade”. (Laima Mesgravis)
Reflexões sobre a História (02)
O problema da verdade – Leia, agora, uma lenda da Índia sobre a dificuldade humana para compreender a realidade:
     Numa antiga cidade da Índia viviam seis cegos. Eles sempre ouviam falar do majestoso elefante do Rajá (príncipe). Até que, um dia, resolveram examinar diretamente o grande animal.
     Chegando perto do elefante, o primeiro cego conseguiu colocar a mão na sua barriga. Então, gritando, disse:
     _ O elefante é como um muro.
     Porém, o segundo cego segurou numa das presas e, ouvindo o amigo, protestou:
     _ Não, o elefante é pontiagudo e duro como uma lança!
     O terceiro cego, agarrando a tromba, discordou:
     _ O elefante é como uma serpente.
     O quarto cego pegando a enorme perna do elefante, disse:
     _ Vocês estão loucos: o elefante é como o tronco de uma árvore!
     O quinto cego, ouvindo a confusão dos amigos, decidiu saltar para cima do animal. Segurou, então, uma das grandes orelhas do elefante e disse:
     _ Todos vocês são idiotas se não percebem que o elefante é um grande leque de abano.
     Por fim, o sexto cego, cuidadosamente segurou a cauda e disse:
     _ Calem-se todos. O elefante é uma corda resistente.
     Os cegos, pegando uma parte do elefante, conheciam apenas uma parte do animal. Entretanto, cada cego era muito orgulhoso. Pensava que sua parte correspondia ao todo, criando toda a confusão.
     A mensagem dessa lenda serve de alerta para muitas situações. No estudo da História, por exemplo, muitas pessoas comportam-se como os seis cegos da Índia. Percebem e compreendem uma parte da realidade e concluem, orgulhosamente, que descobriram a verdade.
     Essas pessoas se esquecem que o saber humano é seletivo e limitado. É seletivo porque cada historiador seleciona a área que quer estudar, seleciona o que mais lhe interessa. É limitado porque, por mais ampla que seja a sua pesquisa, ela atinge apenas parcela da realidade. Pois a tarefa de conhecer é sempre infinita.
Reflexões sobre a História (03)

Conceito de História: História é uma ciência humana que estuda o desenvolvimento do homem no tempo. A História analisa os processos históricos, personagens e fatos para poder compreender um determinado período histórico, cultura ou civilização.
Objetivos: Um dos principais objetivos da História é resgatar os aspectos culturais de um determinado povo ou região para o entendimento do processo de desenvolvimento. Entender o passado também é importante para a compreensão do presente.
Fontes: O estudo da História foi dividido em dois períodos: a Pré-História (antes do surgimento da escrita) e a História (após o surgimento da escrita, por volta de 4.000 a.C).
Para analisar a Pré-História, os historiadores e arqueólogos analisam fontes materiais (ossos, ferramentas, vasos de cerâmica, objetos de pedra e fósseis) e artísticas (arte rupestre, esculturas, adornos).
Já o estudo da História conta com um conjunto maior de fontes para serem analisadas pelo historiador. Estas podem ser: livros, roupas, imagens, objetos materiais, registros orais, documentos, moedas, jornais, gravações, etc.
Ciências auxiliares da História.
A História conta com ciências que auxiliam seu estudo. Entre estas ciências auxiliares, podemos citar: Antropologia (estuda o fator humano e suas relações), Paleontologia (estudo dos fósseis), Heráldica (estudo de brasões e emblemas), Numismática (estudo das moedas e medalhas), Psicologia (estudo do comportamento humano), Arqueologia (estudo da cultura material de povos antigos), Paleografia (estudo das escritas antigas) entre outras.
Periodização da História.
Para facilitar o estudo da História ela foi dividida em períodos:
-Pré-História: Desde o surgimento do homem até o surgimento da escrita, ou seja, até 4.000 a.C.
-Idade Antiga (Antiguidade): de 4.000 a.C até 476 (invasão do Império Romano)
-Idade Média (História Medieval): de 476 a 1453 (conquista de Constantinopla pelos turcos otomanos).
-Idade Moderna: de 1453 a 1789 (Revolução Francesa).
-Idade Contemporânea: de 1789 até os dias de hoje.Outras informações:
- O grego Heródoto, que viveu no século V a.C é considerado o “pai da História” e primeiro historiador, pois foi o pioneiro na investigação do passado para obter o conhecido histórico.
“A diversidade dos testemunhos históricos é quase infinita. Tudo o que o homem diz ou escreve, tudo o que constrói, tudo o que toca, pode e deve fornecer informações sobre eles” Marc Bloch.
“Se você não conhece a História, nada conhece. Você é uma folha que não sabe que é parte de uma árvore”   - Michael Crichton.



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