Prof.° Elisonaldo Câmara

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Mossoró/Guamaré / Pedro Avelino, Rio Grande do Norte, Brazil
Graduado em História pela UERN, Especialista em Geo-História, professor do município de Guamaré e do Estado do Rio Grande do Norte.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

MAOMÉ: O NASCIMENTO E A EXPANSÃO DE UM IMPÉRIO.




Nos dias atuais muito se vincula sobre a fé islâmica e seus seguidores, atentados, homens bomba, guerras e execuções são exibidas nas redes e são vistas por milhares de pessoas, criando assim no senso comum uma forte ideia de que todo muçulmano é terrorista, e que todo terrorista é muçulmano. Esse é um assunto complexo e que precisa ser trabalhado com bom senso para se desconstruir estereótipos e através da reflexão e informação podemos sim, melhor compreender os costumes e os acontecimentos históricos que transformaram o islamismo na segunda maior religião do mundo, ficando atrás somente do cristianismo, mais que ganha novos adeptos em uma velocidade surpreendente. Para isso os convido a entrar comigo nesta aventura e conhecer o um pouca da História do Islã em seu inicio, Vamos?


OS ÁRABES ANTES DO ISLÃ:
Os árabes pré-islâmicos viviam em sua maior parte na Península Arábica, era estepe ou deserto, com Oasis isolados contendo água suficiente para o cultivo regular, esses habitantes falavam vários dialetos do Árabe seguiam diferentes estilos de vida, alguns eram nômades criadores de camelo, carneiro ou cabras, e outros agricultores… O equilíbrio entre nômades e sedentários era precário, quem dominava embora em minoria, eram os nômades dos camelos, móveis e armados que juntamente com os mercadores das aldeias, dominavam os lavradores e artesãos, esses árabes também são conhecidos como Beduínos. A organização era clânica, e o chefe de cada família era responsável por manter a união daqueles que se reuniam ao seu grupo, sendo parentes ou não eram chamados de tribos, e essas tribos eram em sua maioria politeísta, adoravam deuses locais, ou objetos vistos no céu. Porem com as rotas comerciais e a proximidade, muitas das novas ideias já começava a povoar as mentes dos árabes, em meio às guerras entre Bizantinos e Sassanidas (Persas). Os Árabes apostavam no comercio como principal fonte de riqueza, e com o passar dos anos e a convivência com cristãos e judeus fez crescer entre o povo uma espécie de ciúmes, apesar dos Árabes pré-islâmicos serem em sua maioria politeísta, muitos acreditavam que o deus maior em seu panteão, cujo nome é Alá ou Al- Lah (o Deus) era a mesma divindade adorada por judeus e cristãos, mas acreditava que essa divindade não enviaria aos árabes nenhum profeta muito menos um livro sagrado em língua arábica. E para piorar os judeus e cristãos com quem se encontravam com frequência escarneciam dos árabes por terem sidos deixados de lado no plano divino em todo território árabe as tribos se enfrentavam em guerras de vingança e contravingança, para muitos aos olhos dos outros povos, os árabes eram um povo perdido e que nunca fariam parte de um mundo “civilizado”, ou seja, um povo esquecido por Deus.


MAOMÉ E A REVELAÇÃO.
Muhammad ibd Abdallah, ou simplesmente Maomé, nasceu por volta do ano de 570 na cidade de Meca, uma aldeia da Arábia ocidental, sua família pertencia à tribo dos Coraixitas, mesmo sua família não pertencendo à parte mais poderosa do local, os Coraixitas eram mercadores e mantinham acordos com outras tribos pastoris ao redor de Meca, e mantinham relações com a Síria, e mantinham ligações com o santuário da aldeia, A Caaba onde se guardavam as imagens dos deuses locais, sendo assim Maomé era comerciante e ao casar-se com Cadija, uma viúva comerciante passou também a cuidar dos negócios de sua esposa. Foi durante o mês do Ramadã, em 610 D.C, Maomé então com 40 anos de idade, costumava se retirar para uma caverna no monte no alto do monte Hira, bem nos arredores de Meca, lá ele praticava o jejum e dava esmola aos pobres neste local ele permaneceria por 30 dias, já algum tempo, ele vinha meditando a respeito do enriquecimento de sua tribo, a Quraysh, junto ao comercio com os países vizinhos, apesar de Meca ter se tornado uma rica cidade mercantil, a corrida agressiva em busca de riqueza, fazia com que alguns antigos valores tribais tenham se perdido e estes já não seguiam o código dos nômades, como cuidar dos membros mais fracos da tribo, por exemplo, os Coraixitas estavam mais preocupados em ganhar mais riquezas, mesmo à custa dos clãs mais pobres. Porem na décima sétima noite do ramadã quando no interior da caverna daquela montanha no monte Hira, Maomé foi acordado por uma voz que disse, “Recita!” (Iqra!), e por três vezes o anjo “Gabriel” em forma humana insistiu e com seu corpo tomado por um estado êxtase e tremores diante da presença divina que logo o tomou nos braços e após esse momento o anjo lhe ordenou “recita!” e na terceira vez Maomé perguntou: o que recitarei? Então a voz respondeu: “Recita em nome do teu senhor que criou todas as coisas, criou o homem a partir de coágulos de sangue. Recita, pois teu senhor é o mais generoso, que ensinou com a pena, que ensinou ao homem o que ele não sabia”. Essas são as palavras que formam os quatro versículos (ayat) do capitulo 96 (suras) do Corão, pela primeira vez Deus havia falado em solo Árabe.