Prof.° Elisonaldo Câmara

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Mossoró/Guamaré / Pedro Avelino, Rio Grande do Norte, Brazil
Graduado em História pela UERN, Especialista em Geo-História, professor do município de Guamaré e do Estado do Rio Grande do Norte.

terça-feira, 20 de outubro de 2026

O que estuda a história? Verdades absolutas ou versões históricas?

 



O historiador busca conhecer o passado e interpretá-lo de várias formas. Por isso ele não é dono da verdade. Afinal o que é a verdade? Existiria uma única verdade? Um velho conto ambientado na Índia pode ajudá-lo a pensar nisso.

Há muitos anos vivia na Índia um rei sábio e muito culto. Já havia lido todos os livros de seu reino. Seus conhecimentos eram numerosos como o grão de areia do rio Ganges. Muitos súditos e ministros, para agradar o rei, também se aplicaram aos estudos e as leituras dos velhos livros. Mas viviam disputando entre si quem era o mais conhecedor, inteligente e sábio. Cada um se achava o dono da verdade e menosprezava os demais.

O rei se entristeceu com essa rivalidade intelectual. Resolveu então dar-lhes uma lição. Chamou todos para que apreciassem uma cena no palácio. Bem no centro da grande sala do trono estão alguns belos elefantes. O rei ordenou que deixassem entrar um grupo de cegos de nascença.

Obedecendo as ordens reais, os soldados conduziram os cegos para os elefantes e, guiando-lhes as mãos, mostraram-lhes os animais. Um dos cegos agarrou a perna de um elefante, o outro segurou-lhe a cauda, o outro tocou a barriga, outro as costas ,outro apalpou as orelhas, o outro a presa e o último a tromba.

O rei pediu que cada um examinasse bem, com as mãos a parte que lhe cabia. Em seguida mandou-os vir a sua presença e perguntou-lhes:

-Com que se parece um elefante?

Aquele que agarrou a perna, respondeu:

-O elefante e como uma coluna roliça e pesada

-Errado! Disse o cego que agarrou a calda, o elefante e igual uma vassoura de cabo maleável.

- Absurdo gritou aquele que tocou a barriga. E uma parede curva e tem a pele igual um tambor.

- Vocês não perceberam nada, desdenhou o cego que tocou as costas, o elefante parece uma mesa muito alta.

- Nada disso! - resmungou o que tinha apalpado as orelhas. E como uma bandeira muito grossa que não para de tremular.

- Pois eu não concordo com nenhum de vocês - disse o cego que examinara a presa. Este animal é pontudo como uma lança, uma arma de guerra...

- O último cego com prepotência, segurando a tromba disse:

- Lamento dizer que todos vocês estão errados, o elefante e como uma serpente, mas flutua no ar.

 

O rei então disse:

-Viram? Cada um disse a sua verdade. Mas nenhum respondeu corretamente a minha pergunta. Sempre existem muitas versões para um mesmo fato assistido por diversas pessoas. Se juntarmos todas as versões, poderemos chegar à grande verdade.

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